sábado, 14 de março de 2015

Melhor janeiro para operações de aquisição de crédito imobili

A procura por financiamento bateu recorde em janeiro, e a taxa de desocupação, embora baixa, ameaça subir

Em janeiro, o volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis somou R$ 9,1 bilhões, o que representou uma alta de 12% em relação a janeiro do ano passado. No mês, foram realizadas operações de aquisição e construção de 43,7 mil imóveis, com crescimento de 9,4% se comparado a janeiro de 2014. Os resultados foram os melhores para o mês de janeiro na série histórica do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).

Entretanto, apesar da relevância dos números, o presidente do Sindicato da Habitação do Ceará (Secovi-CE), Sérgio Porto, diz que a expectativa de alta dos juros para conter a inflação contribuiu para o aumento da procura por financiamentos. Esse movimento, diz Porto, foi uma antecipação de quem estava pensando em comprar um imóvel e aproveitou para fechar contratos a juros mais baixos. “Infelizmente, isso reflete esse cenário de inflação alta, juros altos, com a economia diminuindo de tamanho, e as primeiras divulgações de aumento de desemprego. Tudo isso gera insegurança”, ele diz.
Comparado com dezembro, houve um recuo de 14,1% nos empréstimos, o que, segundo a Abecip, confirma o comportamento sazonal do crédito imobiliário. Embora avalie que o ano será difícil para o setor, Porto diz que o consumidor terá boas oportunidades. “O mercado está bem ofertado, com várias opções para todo tipo de comprador e investidor, seja imóveis residenciais ou comerciais. A tendência é de que tenhamos um primeiro semestre com bastante oferta e promoções.”
O economista Ricardo Coimbra, professor da Fa7, diz que a retração do mercado tem feito com que as empresas de construção civil busquem formas de gerar crédito aos seus clientes e financiar seus projetos.
“Desde janeiro, o juro já aumentou e a expectativa, a depender do cenário, é de que aumente ainda mais nas próximas reuniões do Copom, o que estimulará ainda mais a procura (por crédito imobiliário)”, ele diz. Coimbra opina que os preços dos imóveis tendem a se estabilizar neste ano e ressalta que se considerada a expectativa de inflação entre 7% e 8%, o preço real do imóvel acabará ficando mais barato.
Empregos
Mesmo com a desaceleração da economia brasileira, a taxa de desocupação no mês de janeiro ficou em 5,3% em janeiro. Foi o segundo menor patamar para o mês em mais de dez anos, atrás apenas da taxa de 2014 (4,8%), de acordo com o IBGE. Mas o resultado deste ano representou a primeira alta para janeiro desde 2009. Além disso, a taxa de desocupação vem aumentando a cada mês desde outubro do ano passado, quando era de 4,7%. E, em janeiro, atingiu o pior resultado desde setembro de 2013, quando foi de 5,4%.

A taxa de desemprego, porém, costuma ser um dos últimos indicadores a reagir às crises econômicas. “No Brasil, o mercado de trabalho é muito rígido, de modo que a taxa de desemprego tem uma defasagem até aparecer”, diz o economista André Nassif, professor do MBA da FGV/RJ. “Desempregar tem um custo relativamente alto para o empregador, e isso faz com que as empresas, mesmo com queda das vendas, segurem o trabalhador. E quando você tem queda nas vendas e na produção, o aumento do desemprego e questão de tempo”, explica.
Números

R$ 19,1 bilhões foi o volume de operações de crédito imobiliário em janeiro

5,3% foi a taxa de desocupação em janeiro

0 comentários:

Postar um comentário