A procura por
financiamento bateu recorde em janeiro, e a taxa de desocupação, embora baixa,
ameaça subir
Em
janeiro, o volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis somou
R$ 9,1 bilhões, o que representou uma alta de 12% em relação a janeiro do ano
passado. No mês, foram realizadas operações de aquisição e construção de 43,7
mil imóveis, com crescimento de 9,4% se comparado a janeiro de 2014. Os
resultados foram os melhores para o mês de janeiro na série histórica do
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), segundo a Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).
Entretanto, apesar da relevância dos
números, o presidente do Sindicato da Habitação do Ceará (Secovi-CE), Sérgio
Porto, diz que a expectativa de alta dos juros para conter a inflação
contribuiu para o aumento da procura por financiamentos. Esse movimento, diz
Porto, foi uma antecipação de quem estava pensando em comprar um imóvel e
aproveitou para fechar contratos a juros mais baixos. “Infelizmente, isso
reflete esse cenário de inflação alta, juros altos, com a economia diminuindo
de tamanho, e as primeiras divulgações de aumento de desemprego. Tudo isso gera
insegurança”, ele diz.
Comparado com dezembro, houve um
recuo de 14,1% nos empréstimos, o que, segundo a Abecip, confirma o
comportamento sazonal do crédito imobiliário. Embora avalie que o ano será difícil
para o setor, Porto diz que o consumidor terá boas oportunidades. “O mercado
está bem ofertado, com várias opções para todo tipo de comprador e investidor,
seja imóveis residenciais ou comerciais. A tendência é de que tenhamos um
primeiro semestre com bastante oferta e promoções.”
O economista Ricardo Coimbra,
professor da Fa7, diz que a retração do mercado tem feito com que as empresas
de construção civil busquem formas de gerar crédito aos seus clientes e
financiar seus projetos.
“Desde janeiro, o juro já aumentou e
a expectativa, a depender do cenário, é de que aumente ainda mais nas próximas
reuniões do Copom, o que estimulará ainda mais a procura (por crédito
imobiliário)”, ele diz. Coimbra opina que os preços dos imóveis tendem a se
estabilizar neste ano e ressalta que se considerada a expectativa de inflação
entre 7% e 8%, o preço real do imóvel acabará ficando mais barato.
Empregos
Mesmo
com a desaceleração da economia brasileira, a taxa de desocupação no mês de
janeiro ficou em 5,3% em janeiro. Foi o segundo menor patamar para o mês em
mais de dez anos, atrás apenas da taxa de 2014 (4,8%), de acordo com o IBGE.
Mas o resultado deste ano representou a primeira alta para janeiro desde 2009.
Além disso, a taxa de desocupação vem aumentando a cada mês desde outubro do
ano passado, quando era de 4,7%. E, em janeiro, atingiu o pior resultado desde
setembro de 2013, quando foi de 5,4%.
A taxa de desemprego, porém, costuma
ser um dos últimos indicadores a reagir às crises econômicas. “No Brasil, o
mercado de trabalho é muito rígido, de modo que a taxa de desemprego tem uma
defasagem até aparecer”, diz o economista André Nassif, professor do MBA da
FGV/RJ. “Desempregar tem um custo relativamente alto para o empregador, e isso
faz com que as empresas, mesmo com queda das vendas, segurem o trabalhador. E
quando você tem queda nas vendas e na produção, o aumento do desemprego e
questão de tempo”, explica.
Números
R$
19,1 bilhões foi o volume de operações
de crédito imobiliário em janeiro
5,3%
foi a taxa de desocupação em janeiro
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